O Segredo

Moreninha e bem feitinha de corpo. João gostou e deu em cima. Dançaram e começaram a namorar no mesmo dia, namorar hoje significa ir logo pra cama porque vai que o mundo acabe…

Mas a bela moreninha, Isabel, tinha um problema. Aceitava tudo, carinhos, sexo, um sexo bem gostoso cheio de variações, a menina de boba não tinha nada! Mas… Os seios, ah! Os lindos e bem torneados seios que tanto encantaram João, esses eram proibidos. Jamais tirava a blusa, nua, somente pela metade, a região dos seios, intocável. Resistiu bravamente a todas as investidas de João, até que ele se conformou. Afinal, sexo bom daqueles, ele nunca tinha experimentado, portanto melhor deixar os seios para lá, cada doido com sua mania. E mania ele também tinha, o de coçar o saco e ela nunca reclamou, ao contrário de sua ex-mulher, portanto…

E a vida foi seguindo. Se entendiam em tudo. Bebiam uma cerva de responsa!  Sempre no final de semana, porque afinal, eram dois moços responsáveis, cada qual no seu emprego, ela, faxineira, ele, vendedor de bilhetes no metrô.

 Sonho de morar juntos realizado.

Vez por outra João se incomodava, afinal, tomar banho juntos com ela de blusa… Mas, foi a condição e não se briga por acordo feito. Pode-se lamentar, mas brigar, nunca.

 Mas naquele sábado, bêbados como gambás, ela apagou logo que caiu na cama. Ele, embora bêbado (homem tem mais resistência à bebida e se esse homem era o João, curtido em altas doses desde os dose anos, então…), rodopiou um tempo pela casa… Foi até a cozinha, diluiu o teor etílico com um copo de água… Voltou para o quarto, coçou o saco… Pensou, lógico que pensamento muito pouco sensato, afinal, estava bêbado. Aproximou-se da cama e lentamente, silenciosamente despiu Isabel, que nem se mexia.

Blusa no chão, a surpresa que lhe fez cair o queixo! Então era aquilo!

Acima do seio esquerdo, em letras trabalhadas, uma tatuagem: “Carlão, meu eterno amor”

Girou feito pião, tentou acordar, em vão, sua musa adormecida, ou melhor, chapada, e inconformado, sentou-se no chão, encostado na parede. Hora e outra, levantava a cabeça e fitava desconsolado a tatuagem, esqueceu até de observar a beleza sem igual daqueles seios…

Noite grande que acabou em um domingo de sol… Isabel acordou. Viu-se despida e entendeu tudo. Seu amado dormia encostado à parede. Respirou fundo. Chorou um pouquinho, mas Isabel é mulher e conhece muito bem suas armas. Lavou o rosto, penteou os cabelos, e o acordou com muitos beijinhos. Beijinhos que ele tentou recusar a princípio, mas que eram sempre recheados, daquela mistura boa que só ela sabia fazer… Foi a vez de João se acalmar. Lembrou-se que quando a conheceu, ela tinha recém separado de um cara que trabalhava no armazém, e o nome dele era Jorge…

Ela explicou: Tinha quinze anos e Carlão fôra seu primeiro namorado. Arrependeu-se, mas não tinha nada mais a fazer, tatuagem não tem volta, ou se tem certamente a solução está muito distante de seu bolso.

João aceitou sem antes fazer biquinho (lógico), superariam juntos, ela já não precisaria se preocupar em se cobrir, agora, já mais calmo, conseguia até mesmo observar a beleza poética daquele dois morros perfeitos.

Incidente superado vivem bem, entre uma briga ou outra, normal na vida de casal, somando seus parcos salários e bebendo todas nos finais de semana. Nunca houve em Vila Isabel, casal mais bonito, sô!

Regina Racco

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