É a Mãe!

superfame
A história é real (os nomes como sempre não são citados para preservar o anonimato).
O Eduardo relata: “ O que fazer quando a esposa direciona quase todo o seu tempo à sua mãe; não trabalha fora para que a mãe possa trabalhar. Sempre que a mãe tem que ir a algum lugar é ela que a acompanha. O pai é vivo, saudável mas não gosta de acompanhar a mulher, minha esposa dispensou varias proposta de emprego porque sua mãe achou o salário baixo. Ela só se recolhe quando a mãe vai dormir e na maioria das vezes já estou dormindo; sou trabalhador, não bebo, não fumo, sou fiel, gostaria muito de alugar uma casa mas meu salário é pouco, mas se minha esposa trabalhasse isso seria possível. Estou quase chutando o balde. Desde já agradeço.”
Lendo o e-mail, imaginei o sofrimento deste homem. Sua dor é real. Problemas como esse acontecem quando por motivos financeiros principalmente, casais dividem o lar com familiares.
Conviver não é fácil, e olhe que estou falando da convivência à dois! Amamos a pessoa que está ao nosso lado e é um grande prazer dividir o nosso espaço, mas mesmo assim, os conflitos acontecem. São dois seres humanos diferentes que se atraíram e constituíram família, mas que nem por isso perderam suas individualidades, o que gera atritos que precisam ser resolvidos.
Estou falando na vida a dois, multiplique agora isso por todos os elementos que convivem em uma mesma casa, quando o casal divide o espaço. Primeiro: Quem se ama são os dois, não os outros que estão à volta e que foram colocados nessa posição na maioria das vezes para ajudar o casal. Na melhor das hipóteses todos se estimam e isso é bom, mas se com muito amor problemas ocorrem imagine então nesse caso. Falo de forma geral, mas na vida de meu leitor então, soma-se ainda o apego filial que faz com que a esposa acabe por dedicar um tempo excessivo (opinião dele) à sua mãe.
Sem dúvida, uma situação difícil, principalmente para ele, porque a esposa está como sempre esteve vivendo a mesma realidade, na casa da mãe, fazendo o que sempre fez, ele não me relatou o tempo em que estão casados, mas acredito que não deve ser muito. Acabar, pôr fim ao casamento, não é a solução, se há amor, ambos irão sofrer. E soluções existem, as paliativas, enquanto não se pode mudar a realidade e outras mais sólidas, que deverão ser trabalhadas para o futuro, se houver acordo e carinho, um futuro nem tão distante assim.
Respondi deixando claro que me colocava em seu lugar e percebia claramente seu desconforto. Confortei-o e sugeri alguns passos para melhorar a situação. Ele me respondeu algum tempo depois que estava mais adaptado e os planos da casa estão a pleno vapor… isso só comprova uma coisa: Nenhum problema, por mais difícil que possa parecer, é insolúvel quando há boa vontade.
Regina Racco
Matéria originalmente publicada em tempo de Mulher/MSN
Os passos:
1)      O meu conselho não poderia ser outro senão o diálogo.
Não a culpe pelo tempo dedicado à mãe, exija com carinho o seu tempo. Fazê-la entender que ambos têm uma vida inteirinha para ser vivida. Um futuro para construir e que esse esforço precisa ser conjunto. Diga que entende seu amor filial, mas que deseja muito sua companhia e que sente a sua falta ao seu lado antes de adormecerem, que gosta de acariciá-la e que esse momento somente dos dois o alimenta para o dia seguinte, quando a rotina recomeça e ficarão separados durante horas!
2)      Não aponte os pontos negativos da situação atual, isso poderá entristece-la, fazendo com que ela o julgue mal-agradecido por não entender o gesto de boa vontade dos pais que aceitaram que ambos permanecessem na casa deles, gesto esse, louvável, e sei que você sabe disso. Saiba que tudo é possível a quem ama e que falar é indispensável, não perca o tempo precioso que vocês têm para criar uma realidade promissora, com pensamentos amargurados, brigas e mágoa.
3)      Traga-a para os seus planos de futuro. Sonhe com sua casa e tudo que irá fazer quando estiver nela. Sua casa terá que existir antes em sua imaginação é assim que se faz sonhos se tornarem realidade. Quanto maior for a sua vontade, mais rapidamente acontecerá, acredite. Mas não sonhe sozinho. Traga sua esposa para essa criação mental, junto. Falando de como vai ser bom quando puderem finalmente gozar de liberdade total.
4)      Tire um tempo para passear, mostrar-lhe algumas casas… Mesmo sem poder ainda alugar, faça isso. Ver uma casa real, entrar nela, aguçará o interesse de sua esposa. Talvez ela ainda não tenha pensado nisso, mostre-lhe que esse não é um sonho tão difícil assim, quem sabe uma casa pequena, que caiba no orçamento? Mostre a ela que se estiver trabalhando, mesmo ganhando pouco, esse sonho pode estar mais perto do que imagina!
5)      Principalmente, fuja de confrontos com familiares, redobre sua paciência, é você que está no ambiente deles e não o contrário, mostre agradecimento e seja carinhoso com a certeza de que tudo isso passará muito breve.  Não espere que aconteça, faça acontecer, seja o agente de transformação, não esquecendo que esse sonho/realidade deve ser de ambos, portanto: Mãos à obra!

 

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